Viticultura Poda Enxertia Sistemas de condução

Doença/Fungo Responsável

Sintomatologia

Susceptibilidade da planta

Condições de desenvolvimento

Técnicas profilácticas e tratamento

Míldio

Plasmopara viticola

Folhas: “Manchas de óleo” – manchas amareladas na face superior da folha, com posterior aparecimento na face inferior, de uma pubescência branca. Inflorescências : escurecimento da ráquis, seguida de seca e queda dos botões florais

Cachos: na fase inicial (antes ou depois da floração), os cachos ficam cobertos por uma esflorescência branca; os bagos são infectados pelos pedúnculos, o fungo desenvolve-se no interior dos bagos, estes mirram, escurecem, e acabam por cair

Pâmpanos: curvam-se em forma de “S” e cobrem-se de eflorescência branca

- Pâmpanos com mais de 10cm

- Carência de potássio

- Vigor excessivo

- Excessos de água no solo (formação de poças)

- Temperaturas mínimas acima de 10ºC

- Precipitação superior a 10mm

- Maior susceptibilidade da videira na época de floração (a seguir ao abrolhamento, até ao fim de Junho)

Profilaxia:
- Aplicar uma fertilização racional, sem excesso de azoto
- Assegurar a boa drenagem da vinha, de modo a evitar o excesso de água no solo e a formação de poças
- Cortar a erva, para evitar a existência de um ambiente húmido
- Utilizar porta-enxeros que não confiram demasiado vigor.

Tratamento:
- Aplicação de fungicidas adequados a cada momento, se possível de acordo com as indicações duvulgadas pelos Avisos Agrícolas.

Oídio

Uncinula necator

Folhas: perda de cor no início da infecção; manchas acinzentadas em ambas as faces; em ataques severos, as folhas não se desenvolvem, por vezes, enrolam-se sobre si mesmas; em fase avançada, aparecimento de pontos escuros cobertos por uma camada branca (micélio do fungo), mudando depois para aspecto de pó cinzento; folhas acabam por cair

Inflorescências: secam e caem, comprometendo a produção

Bagos: a película racha expondo as grainhas ao meio exterior, provocando outras infecções e podridão; os bagos atingidos mirram e endurecem, não amadurecem totalmente, originando vinhos de fraca qualidade

Varas: na altura da poda, apresentam cor branca com manchas castanhas

- Vinhas com ataques em anos anteriores

- Necroses nas varas

- Estados fenológicos:
E-F (2-5 folhas);
I-J (floração - alimpa);
K (grão de ervilha);
L (fecho do cacho).

- Aparecimento dos cachos até ao pintor (infecções começam à rebentação, mesmo com pouca humidade)

 

Profilaxia:
- Semelhante à descrita para o míldio.

Tratamento:
- Enxofre sempre que possível e ISS (inibidores da biossíntese de esteróis), no máx.3vezes/ano

 

Podridão cinzenta

Botrytis cinerea

Sarmentos: o fungo hiberna nos sarmentos sob a forma de micélio, nas fendas e gomos

Varas: manchas alongadas, castanhas, com micélio

Folhas: manchas vermelho-acastanhadas, a partir da periferia e que tomam o aspecto de queimaduras

Cachos: antes da floração, pode provocar a destruição dos botões, e até de todo o cacho. Na maturação, ocorre podridão, com aparecimento de manchas castanhas, cobertas de micélio cinzento

- Chuvas no fim do Verão

- Feridas

- Maturação – bagos contêm elevada concentração de açúcar, sendo este um substrato promotor do desenvolvimento do fungo.

- Em sequência de ataques de Oídio ou Traça

 

 

Profilaxia:
- Poda – localizar, cortar, retirar da vinha e queimar as varas afectadas
- Formas de condução da vinha que permitam o com arejamento da videira.

Tratamento:
- Aplicação de fungicidas específicos, de acordo com os Avisos Agrícolas ou baseados no método standard do Institut Technic du Vin

Esca

Formitiporia punctata

Phaeomoniella chlamydospora  

Phaecremonium aleophilum  

P. chlamydosporum

 


Sintomas primários:
Ramos: necroses à superfície, acompanhados de fendas longitudinais; necroses internas, constituídos inicialmente por uma mancha escura que estende a partir da medula, que em fase mais avançada, adquire uma consistência esponjosa, de cor esbranquiçada no centro, permanecendo uma zona escura periférica, separada da parte sã por uma linha negra

Sintomas secundários:
Folhas: castas brancas – necroses amareladas, facilmente confundíveis com carências de magnésio; castas tintas – pequenas manchas escuras, rodeadas na borda por um anel avermelhado, facilmente confundido com carências de potássio ou com avermelhamento de origem fisiológica

Redução progressiva da vegetação

 

Informação não disponível.

 

Informação não disponível.

Profilaxia:
- Utilizar material são na instalação de vinhas novas
- Arrancar e queimar videiras mortas ou muito afectadas
- Zona contaminada da vinha deve ser a ultima a ser podada
- Desinfectar tesouras de poda.

Tratamentos:
- Não existem, até ao momento, meios de luta eficazes no combate a estas doenças.

Declínio das videiras jovens

Pé negro (Cylindrocarpon destructans)

Esca das videiras jovens (Phaeomoniella chlamydospora)

Phaeoacremonium spp.

Vinhas jovens: fraco desenvolvimento vegetativo

Folhas: amarelecimento e murchidão; coloração avermelhada (início do Verão)

Sarmentos: entrenós curtos

Porta-enxertos: necrose vascular intensa com início na superfície basal, prolongando-se a todo o porta-enxerto

- Zona de enxertia e garfo

 

Informação não disponível.

Profilaxia:
- Utilizar material são na instalação de vinhas novas
- Arrancar e queimar videiras mortas ou muito afectadas
- Zona contaminada da vinha deve ser a ultima a ser podada
- Desinfectar tesouras de poda.

Tratamentos:
- Não existem, até ao momento, meios de luta eficazes no combate a estas doenças.

Escoriose

Phomopsis viticola

Sarmentos: inicialmente, aparecem manchas esbranquiçadas; em fase avançada da infecção, os gomos basais apresentam necroses escuras, os gomos podem morrer e a base dos sarmentos pode apresentar fendas longitudinais e transversais, provocando o enfraquecimento dos pâmpanos.

Varas: pequenas lesões negras, arredondadas ou lineares nos entrenós da base, originando um esbranquiçamento cortical a partir da base.

Folhas: pontuações negras com um halo amarelado.

Cachos: manchas no pedúnculo e no ráquis, que evoluem, no Verão, para necroses acastanhadas de forma estriada.

Rebentos jovens da videira

Estado fenológico D

 

Informação não disponível.

Profilaxia:
- Utilização de material são na instalação de vinhas novas
- Videiras afectadas: cortar e queimar as varas que apresentam os sintomas característicos; efectuar uma poda mais longa

Tratamento:
- Duas aplicações de fungicidas orgânicos (ditiocarbamatos e ftalimidas), uma com 30-40% dos gomos no estado fenológico D, outra com 40% dos gomos no estado E.

Eutipiose

Eutypa lata

Sarmentos: ao abrolhamento, os gomos e rebentos apresentam um aspecto raquítico e entrenós curtos.

Folhas: apresentam-se pequenas, deformadas, com necroses nas margens que originam fendas.

Lenho: necrose sectorial em forma de “V”

Inflorescências: secam antes da floração ou se o ataque for um pouco mais tardio, ocorre desavinho.

Informação não disponível.

Informação não disponível.

Profilaxia:
- Arrancar e queimar videiras mortas
- Cortar os ramos afectados 10cm abaixo do lenho são
- A poda deve ser o mais tardia possível
- Feridas de poda devem ser protegidas.

Podridão radicular

Armillaria mellea spp.

Diminuição do vigor das cepas;

Lançamentos fracos;

Raízes: zona cuticular da raiz castanha; entre o lenho e a casca aparece um emaranhado de micélio branco, sendo frequente aparecerem cogumelos cor de mel, junto ao colo das cepas infectadas.

Sarmentos: atempamento incompleto ou inexistente; entre-nós curtos

Folhas: cor pálida; avermelhamento no Outono (asfixia radicular)

Informação não disponível.

Presença no solo de raízes em decomposição

Incorporação de estrumes mal curtidos

Solos muito compactos, argilosos, ricos em matéria orgânica

Profilaxia:
- Não instalar em solos mal drenados
- Não incorporar estrumes mal curtidos ou restos de madeira nas covas de plantação
- Na preparação de terrenos de plantio de vinha, eliminar todos os restos da cultura anterior
- Observar

 

Desenvolvido pelos Formandos do Curso Especialização em Produção Enológica | Supervisionado por Doutor César Ferreira, Engª Beatriz Machado e Carla Tavares